O atraso de financiamentos bancários não significa apenas o aumento de juros e encargos. Dependendo do contrato, a instituição financeira pode ajuizar uma execução, solicitar o bloqueio de valores e buscar a penhora de bens da empresa ou dos garantidores.
Muitos empréstimos empresariais são formalizados por meio de Cédula de Crédito Bancário — CCB, documento que possui força de título executivo extrajudicial. Isso permite que o banco, em determinadas situações, ingresse diretamente com uma ação de execução para cobrar o saldo devedor.
Por isso, a empresa não deve esperar o recebimento da citação para começar a organizar seu passivo.
Quais são os riscos de uma execução bancária?
Depois de citada em uma execução, a empresa possui, em regra, apenas três dias para pagar a dívida. Caso isso não aconteça, o processo pode avançar para a penhora de valores, veículos, imóveis, máquinas, faturamento e outros direitos.
O dinheiro mantido em contas bancárias ocupa posição prioritária na ordem de penhora. O Código de Processo Civil também permite a indisponibilidade eletrônica de ativos financeiros sem comunicação prévia ao devedor, limitada inicialmente ao valor executado.
Um bloqueio inesperado pode comprometer a folha de pagamento, fornecedores, tributos e a própria continuidade da atividade empresarial.
O que fazer antes do ajuizamento?
O primeiro passo é realizar um diagnóstico completo do endividamento. A empresa precisa identificar: saldo atualizado de cada contrato; parcelas vencidas e futuras; taxas, encargos e hipóteses de vencimento antecipado; garantias vinculadas aos contratos; avais e fianças prestados pelos sócios; bens essenciais expostos a medidas de cobrança; e capacidade mensal real de pagamento.
Negociar sem planejamento pode piorar o problema. Nem toda proposta de alongamento é financeiramente vantajosa. Um refinanciamento pode reduzir a parcela mensal, mas aumentar significativamente o saldo total, exigir novas garantias ou incluir os sócios em obrigações pessoais.
Enquanto a cobrança ainda está na esfera extrajudicial, podem existir melhores condições para discutir alongamento de prazo, carência, redução de encargos, substituição de garantias ou pagamento escalonado.
A empresa também pode organizar propostas diferentes conforme a urgência de cada credor. Contratos com garantias essenciais, risco de vencimento antecipado ou aval pessoal dos sócios normalmente exigem atenção prioritária.
O diagnóstico do passivo permite identificar os contratos mais urgentes, as garantias expostas e as possibilidades de negociação antes do avanço das cobranças.
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Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo. A estratégia aplicável depende dos contratos, das garantias, da situação financeira e das particularidades de cada empresa.
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