O aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais mostra que muitas empresas brasileiras estão encontrando dificuldades para administrar dívidas contratadas em um cenário econômico diferente do atual.
Em 2025, 2.466 empresas estiveram envolvidas em processos de recuperação judicial, o maior número da série histórica da Serasa Experian. Foram 977 processos no período, crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior.
A recuperação extrajudicial também ganhou espaço. Os casos passaram de 16, em 2021, para 84 em 2025. Nos primeiros meses de 2026, outras 33 empresas já haviam recorrido ao instrumento, envolvendo mais de R$ 109 bilhões em dívidas.
Por que tantas empresas estão buscando reestruturação?
Um dos principais fatores é a manutenção dos juros em patamares elevados. Empresas que contrataram financiamentos durante o período de crédito barato passaram a enfrentar um custo financeiro muito superior, frequentemente acompanhado de redução das margens, dificuldade de acesso a novos recursos e concentração de vencimentos no curto prazo.
Entretanto, os juros não explicam tudo. Problemas operacionais, ausência de planejamento financeiro, baixa geração de caixa, endividamento excessivo e demora dos gestores em reconhecer a gravidade da situação também podem transformar uma dificuldade temporária em uma crise estrutural.
Recuperação judicial não deve ser a primeira medida
Quando o problema é identificado antecipadamente, podem ser avaliadas alternativas como renegociação direta com bancos, alongamento de vencimentos, substituição de garantias, revisão do fluxo de pagamentos e recuperação extrajudicial.
A recuperação extrajudicial permite que a empresa negocie com determinados grupos de credores, com menor intervenção do Judiciário e, em muitos casos, com menor impacto sobre a operação e a imagem do negócio.
A importância da gestão do passivo
A gestão do passivo começa com um diagnóstico completo das dívidas da empresa: valores atualizados, taxas, garantias, vencimentos, contratos mais urgentes e capacidade real de pagamento.
Esse levantamento permite definir prioridades e iniciar negociações antes que ocorram vencimentos antecipados, execuções, bloqueios ou perda de ativos importantes.
Mais do que renegociar parcelas, a empresa precisa construir uma estratégia que considere conjuntamente o passivo bancário, o fluxo de caixa e a continuidade da atividade.
Sua empresa está enfrentando dificuldades para pagar financiamentos?
Uma análise antecipada do passivo pode ajudar a identificar riscos, organizar prioridades e avaliar alternativas de negociação com os credores.
Entre em contato com nossa equipe para conhecer o trabalho de diagnóstico e gestão das dívidas bancárias.
Este conteúdo possui caráter exclusivamente informativo. A estratégia adequada depende da situação financeira, dos contratos e das características de cada empresa.
Fontes consultadas
- CNN Brasil — Onda de recuperações no Brasil passa por juros altos e questões estruturais
- g1 — Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho
Banco pode bloquear contas da empresa por causa de uma dívida?
Em regra, o banco não pode simplesmente bloquear a conta empresarial por decisão própria apenas porque existe uma dívida em atraso.
É necessário distinguir duas situações: o débito autorizado na conta e o bloqueio judicial de valores.
Débito autorizado não é bloqueio judicial
Caso o contrato contenha autorização específica para pagamento das parcelas por débito em conta, o banco poderá realizar os lançamentos nos limites da autorização concedida. Segundo o Banco Central, débitos bancários dependem de autorização prévia, escrita ou eletrônica, do titular da conta.
Se não houver autorização clara, ou se forem retirados valores diferentes dos contratados, a empresa poderá questionar os lançamentos.
Quando pode ocorrer o bloqueio judicial?
Após o ajuizamento de uma ação de execução, o credor pode solicitar ao juiz a indisponibilidade de valores existentes nas contas da empresa.
A ordem é normalmente cumprida por sistema eletrônico e pode ocorrer sem aviso prévio ao devedor, limitada inicialmente ao valor cobrado no processo. Depois do bloqueio, a empresa é intimada e pode alegar excesso ou irregularidade. O dinheiro depositado em instituições financeiras ocupa o primeiro lugar na ordem preferencial de penhora.
Diferentemente do que ocorre com pessoas físicas em algumas situações, os valores mantidos por uma pessoa jurídica não possuem proteção automática até determinado limite. Para obter o desbloqueio, pode ser necessário demonstrar concretamente que a quantia é indispensável à continuidade da atividade empresarial.
O que fazer antes que isso aconteça?
Ao perceber que não conseguirá manter os pagamentos, a empresa deve levantar:
- contratos e saldos atualizados;
- garantias oferecidas;
- avais prestados pelos sócios;
- parcelas vencidas e próximas do vencimento;
- recursos necessários para salários, tributos e fornecedores.
A análise antecipada permite negociar com os bancos, organizar prioridades e avaliar medidas jurídicas antes que um bloqueio comprometa o funcionamento da empresa.
Sua empresa possui dívidas bancárias em atraso? Entre em contato com nossa equipe para conhecer o trabalho de diagnóstico e gestão do passivo empresarial.
Conteúdo de caráter exclusivamente informativo. A estratégia adequada depende dos contratos, das garantias e da situação financeira de cada empresa.
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